De olho no mercado

Alta na Selic: quais investimentos valem a pena?

Publicado em 05/08/2021

A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) definiu a elevação da taxa de juros Selic em um ponto percentual, passando de 4,25% para 5,25% ao ano. A medida tem em vista o objetivo do Banco Central de conter a inflação, diretamente impactada pela taxa, que já acumula alta de 8,35% desde junho de 2020. Essa foi a quarta alta da Selic só em 2021, encerrando um ciclo de baixa da taxa que ocorria, principalmente, por conta da pandemia.

O que é mesmo a taxa Selic?

Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia e é a taxa básica de juros do país. A cada 45 dias ela é definida pelo Copom e a sua alteração para mais ou para menos determina a variação das demais taxas da economia, como as de empréstimos, de financiamentos e de parcelamento de compras. Neste ano, a Selic já passou por quatro variações: saiu de 2% em janeiro para 2,75% em março, passando por 3,5% em maio, 4,25% em junho, até chegar na taxa de 5,25%, definida em agosto.

Tabela informativa sobre as altas da Selic.
As altas da Selic em 2021

A taxa base também é referência para diversas aplicações financeiras, como caderneta de poupança, renda fixa, CDB e títulos do Tesouro Direto. Por estarem relacionados, a alteração da Selic impacta na rentabilidade dos investimentos. Isso quer dizer que, quando a Selic é alterada, a rentabilidade desses produtos financeiros também oscila – e é nisso que você precisa ficar de olho!

>> Entenda como a alta da Selic impacta no seu bolso.
 

Onde investir nesse cenário?

A alta da Selic tende a aumentar a procura por investimentos em renda fixa e crédito privado. Essas aplicações têm a rentabilidade atrelada à taxa de juros: quando a taxa sobe, como no contexto atual, elas pagam mais.

Na análise do especialista de Investimentos do WIN do Inter, Luiz Flávio da Silveira, para quem está procurando alocar seus investimentos e consegue abrir mão da liquidez imediata, os títulos públicos, como o Tesouro Selic, e os privados, como CBD, LCI e LCA, são alternativas atraentes. Estes títulos também contam com uma proteção contra essa alta de inflação.

Outra opção, segundo o especialista, são os títulos pós-fixados. Por serem atrelados ao CDI, taxa que determina o rendimento anual de diversos investimentos, esses produtos financeiros se beneficiarão com a alta da Selic, já que, se a taxa base aumenta, o CDI também cresce. Títulos de banco médios são alternativas interessantes e ainda contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Silveira destaca, no entanto, que apesar desta última alta, a Selic ainda está em patamares historicamente baixos (em 2016, por exemplo, ela chegou a 14,25% ao ano). Por isso, investir em ativos mais voláteis, como a renda variável, ainda é aconselhável para se ter diversificação, garantindo uma carteira mais equilibrada e com retornos mais altos.

E a poupança compensa?

A rentabilidade da poupança é diretamente atrelada à taxa Selic. De acordo com a regra estabelecida em 2012, quando a taxa Selic é maior que 8,5% ao ano, a caderneta rende 0,5% ao mês + Taxa Referencial. Se a Selic estiver abaixo desse valor, a poupança tem rendimento equivalente a 70% da taxa base. Com a Selic definida em 5,25%, a poupança rende 3,68%. 

Citação

Na regra atual, a poupança se beneficia da alta da Selic. Porém, ao ser comparada com outras opções de investimentos, é possível encontrar outras mais rentáveis e com o mesmo risco. CDBs de banco com bom rating de crédito e o Tesouro Selic são interessantes. Outra opção é a LCI do Inter com liquidez diária após 90 dias, isenta de imposto de renda assim como a poupança.

- Luiz Flávio da Silveira, especialista de Investimentos do WIN do Inter

Fique de olho!

Com a alta da Selic, alocar os investimentos em pré-fixados pode não ser uma boa ideia. Caso a Selic passe do valor pré-fixado da taxa contratada, o investidor pode estar tendo um custo de oportunidade importante, alerta o especialista de Investimentos do WIN.

Se a taxa básica de juros alcançar patamares mais altos, como aconteceu no passado, é possível que haja uma desaceleração economia e uma alta no custo de crédito. Estes fatores podem impactar em diferentes setores da economia e no mercado de ações.

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