De olho no mercado

Até quando a comida vai ficar cara?

Publicado em 13/09/2021

Já falamos aqui no Blog do Inter sobre como o clima afeta a agricultura e, consequentemente, o preço de uma série de alimentos. Afinal, para crescerem, as plantações dependem de uma combinação de fatores como temperatura, quantidade de chuvas e umidade, e se as condições climáticas desviam do padrão, as safras são gravemente prejudicadas.

Com uma colheita menor, logo a oferta dos produtos nas prateleiras diminui, mas a demanda nos centros de abastecimento continua a mesma. É um efeito cascata: com a menor disponibilidade de alimentos e o prejuízo dos agricultores, os preços acabam subindo para o consumidor final.

E com a maior seca em 91 anos, a tendencia é que a comida no Brasil continue cara. Algo parecido já aconteceu no ano passado na região Centro-Sul do país: com a falta de chuva no campo, houve uma queda significativa na produção de produtos como café, laranja, milho e carne bovina.

Mas o cenário deste ano conta com um agravante: com o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, o governo precisou acionar as usinas termelétricas, que produzem uma energia mais cara. Lembra do efeito cascata? Pois é. Todo esse problema faz com que os gastos de produção das fazendas, indústrias e comércio disparem, o que influencia diretamente o preço final dos produtos.

Os alimentos mais afetados

Arroz e feijão

Grande parte da produção de arroz precisa de irrigação. Além disso, os custos de produção também aumentam por causa da alta na conta de luz. Com todas essas questões, a estimativa da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) é que o preço do cereal se estabilize em torno de R$ 5 o quilo. A seca que atingiu as lavouras também deve influenciar o preço final do feijão, como reflexo da queda na oferta da leguminosa por causa do clima.

Carnes e ovos

O campo da carne também precisa da chuva para garantir a qualidade das pastagens que alimentam os bovinos. Já o aumento do valor do frango e do ovo se deve aos altos preços das rações, que representam 75,8% dos custos de produção, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Hortaliças

O cultivo das hortaliças, que já foi prejudicado pelas geadas em julho, depende principalmente da irrigação. Com a seca e a preocupação em relação aos níveis dos reservatórios até o próximo ano, vem aí mais um período de valores acima da média, como consequência da redução na oferta.

Café

A chuva é essencial para o desenvolvimento da florada do grão e para a estimativa dos produtores sobre as suas produções. Com a forte seca, queda na oferta, custos de insumo e a alta do dólar, a estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) é que o preço do grão aumente 40% para o consumidor. Outro fator importante para a elevação do custo final é a bienalidade da cultura: ano par é de safra alta e ano ímpar, de safra baixa. Como estamos em 2021, a produção deverá ser menor.

Leite

Bombas de água, ordenhadeiras mecânicas, tanques resfriadores de leite, ventiladores e sistemas de irrigação são alguns dos equipamentos utilizados na atividade leiteira e que dependem da energia elétrica para funcionar. Em algumas propriedades, o gasto com energia pode chegar a 50% do custo total de produção. Dá pra imaginar quanto o aumento da conta de luz influencia nesse caso, né? Além disso, por causa da falta de chuva, a qualidade das pastagens vem piorando e, com o dólar tão valorizado em relação ao real, a tendência é a preferência à exportação e a consequente queda da oferta interna.

Açúcar

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço do açúcar já subiu 27% no acumulado de janeiro a agosto. A causa também foi a redução da oferta, causada, em boa parte, por uma seca que atingiu as lavouras de cana entre abril de 2020 e meados deste ano. O período de desenvolvimento da planta é de novembro a março, quando mais necessita das chuvas que não têm vindo na quantidade necessária.

Entenda o IPCA e seus impactos na economia.

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