De olho no mercado

Aumento da Selic: o que muda no seu bolso?

Publicado em 05/08/2021

Você já deve ter ouvido que a Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela influencia todas as taxas de juros do país, como as de empréstimo pessoal, de financiamento, de cheque especial e até o retorno dos investimentos. Se a Selic aumenta, as demais taxas também aumentam e, se diminui, as outras acompanham a variação.

A cada 45 dias, o Copom, Comitê de Política Monetária do Banco Central, define a meta para a taxa, indicando se ela vai subir ou cair. Na definição passada, em junho de 2021, a Selic subiu de 3,5% para 4,25%. Agora, em agosto de 2021, o Copom acelerou o ritmo de ajuste na política monetária e elevou a Selic para 5,25% ao ano – a maior alta em 18 anos.

Porque a Selic é tão importante?

Além de impactar as taxas da economia, a Selic – sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia – é o principal mecanismo do Banco Central para controlar a inflação. A Selic e a inflação andam sempre juntas e a variação de uma afeta diretamente a outra.

A inflação, indicada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), atinge diretamente o poder de compra dos brasileiros. Isso porque ela representa o aumento generalizado de preços de produtos e serviços. Ou seja: com a inflação alta, os produtos ficam mais caros. Nessas circunstâncias, encher o carrinho do supermercado ou comprar aquele pãozinho na padaria pode custar muito para o seu bolso.

>> Entenda os impactos do IPCA na economia

Quando a inflação sobe, o Banco Central aumenta a taxa básica de juros com o objetivo de conter a atividade econômica do Brasil e controlar o IPCA. Já quando está baixa, diminuir a Selic é a forma de aquecer a economia e aumentar a inflação para que ela atinja a meta, estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CNM). Para 2021, a meta é de 3,75%.

A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, explica que, por conta dos riscos inflacionários atuais, a perspectiva é que o ciclo de elevação da Selic se mantenha. A previsão é que, para conter a inflação alta, os juros fiquem acima do patamar neutro, que não beneficia nem prejudica a economia. A expectativa é que a taxa chegue a 7% ao final deste ano.

Citação

Com uma preocupação maior com o risco de uma potencial aceleração da alta de preços de serviços, o Banco Central espera uma nova elevação da Selic em 1,00 na próxima reunião em setembro. A subida mais “tempestiva” da Selic tem o objetivo de não perder a ancoragem das expectativas para 2022.

- Rafaela Vitória, Economista-chefe do Inter

Como isso impacta no seu dia a dia

Quando a Selic está baixa, os juros para financiamento, empréstimos e até de cartão de crédito também ficam em patamares menores. Isso significa que tomar dinheiro emprestado se torna mais barato e as pessoas consomem mais. Nesse contexto, a economia aquece e os preços tendem a sofrer aumentos.

Com o aumento da Selic, o cenário é oposto: se você pretende pegar dinheiro emprestado ou parcelar compras, precisa saber que os juros para essas operações serão mais caros. Com taxas mais altas, menos dinheiro circula e, como consequência, o consumo diminui. O efeito atinge diretamente os preços, que tendem a baixar ou se estabilizarem, por conta da inflação controlada.

Infográfico mostrando o que acontece quando a Selic sobe ou desce

Na análise da economista, os efeitos da alta da Selic já serão sentidos nos próximos meses, tanto via câmbio (no valor do real em relação a outras moedas), como via desaceleração do crescimento da atividade econômica.

E como ficam os investimentos?

Assim como os preços, a rentabilidade dos investimentos também é impactada pela variação da Selic. Ela é a taxa de referência para diversas aplicações, como Tesouro Selic, LCI, LCA, CDB e até a tradicional caderneta de poupança.

Se você investe em produtos como esses, é importante ficar de olho e entender a rentabilidade para proteger o seu dinheiro. Para te ajudar, preparamos um artigo em que a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, explica em detalhes como a Selic impacta nos seus investimentos e como investir no cenário de alta da taxa.

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