Cuidando do seu dinheiro

Impostos 2021: como se planejar?

Publicado em 11/01/2021

No ano passado, os brasileiros levaram 153 dias (em média) para pagar todos os tributos cobrados pelos governos municipal, estadual ou federal. Isso quer dizer que até o dia 2 de junho, boa parte do dinheiro recebido pelo trabalhador foi destinado para quitar nossa carga tributária, de acordo com estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Para complicar um pouco mais a conta, a maioria desses tributos é cobrada já em janeiro, o que dá pouco tempo para uma pessoa comum se recuperar dos gastos do ano anterior, sem esquecer, é claro, das despesas fixas com alimentação e moradia.

Parece um filme de terror, né?

Mas fique tranquilo, pois queremos te ajudar a sair dessa!

Continue a leitura para descobrir como se organizar para pagar os tributos e outras contas do início do ano sem ficar no negativo.

Quais impostos são cobrados no início do ano?

Antes de começar seu planejamento é preciso saber quais impostos são cobrados no primeiro trimestre. Lembrando que a lista abaixo vai variar bastante de acordo com o perfil da família, se você tem carro e imóvel próprio ou filhos em idade escolar, essa lista será maior.

IPVA

O IPVA – Imposto sobre a propriedade de veículos automotores – é um imposto estadual cobrado de todas as pessoas que possuem um veículo (carro ou moto), e pode chegar a até 4% do valor do bem.

Carros com mais de 20 anos de fabricação, ônibus, veículos oficiais ou aqueles usados por igrejas e entidades sem fins lucrativos estão isentos da taxa. Consulte as regras válidas para sua região pelo site do Detran.

O pagamento do tributo pode ser feito a vista ou a prazo. Para os pagamentos à vista é oferecido um desconto sob o valor total do imposto. Nos pagamentos feitos a prazo, o tributo é dividido em 3 parcelas com datas de vencimento estabelecidas de acordo com os últimos dígitos da placa do veículo.

DPVAT

DPVAT – sigla para Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via terrestre – é um seguro obrigatório, instituído em 1974, utilizado para indenizar vítimas de acidentes.

O valor cobrado pelo tributo é bem abaixo do valor do IPVA, ficando entre R$12 e R$33 de acordo com o tipo de veículo, cobrados em uma parcela única.

Possui um prazo de vencimento mais flexível, mas isso não significa que você deve pagá-lo depois, já que o imposto é determinante para a emissão do CRLV e precisa estar em dia para que você receba a indenização em caso de acidentes.

Outro adendo importante é que o DPVAT não substitui o seguro de automóvel, pois possui um teto no valor pago ao contribuinte e pode levar até 30 dias para ser liberado. Portanto, evite confundir os dois.

Taxa de Licenciamento

Ainda na categoria de automóveis temos mais um imposto obrigatório que é a taxa de licenciamento recolhida pelo Detran.

Seu valor é determinado pela Secretaria da Fazenda de cada estado, logo, a cobrança será diferente de acordo com o local onde seu veículo foi registrado. Sem a taxa de licenciamento também não é possível gerar o registro do veículo para o ano vigente, o que pode gerar multas ou até apreensão do automóvel.

IPTU

O IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) é um imposto municipal pago por proprietários e inquilinos de imóveis. O valor arrecadado por meio dele é utilizado para custear serviços de limpeza urbana, manutenção de espaços verdes, iluminação de vias, entre outros.

O valor cobrado é calculado a partir do valor total do imóvel, acrescido de alíquotas ou de descontos definidos pelo município onde o imóvel está localizado, e pode ser reajustado anualmente.

No caso do IPTU, o pagamento pode ser feito de forma integral ou em até 10 parcelas iguais, mensais, com aplicações de multas em caso de atraso. Mas fique atento: a cobrança incide sobre cada propriedade, então, caso possua mais de um imóvel em seu nome, você terá mais uma guia de arrecadação para pagar e, assim por diante. Existem também os imóveis isentos do tributo, o direito é concedido pela prefeitura e baseado no valor venal da propriedade.

Outros gastos comuns não obrigatórios

Lembra que a gente comentou no início do texto que o valor gasto em janeiro dependeria do perfil de cada família?

A seguir, listamos alguns gastos não obrigatórios que são comuns nesta época do ano e que, assim como os impostos, comprometem boa parte do orçamento.

Matrícula e material escolar

Em 2020, as escolas ficaram fechadas por causa do Coronavírus, mas a maioria das instituições ofereceu ensino à distância.

Mesmo sem saber quando as aulas presenciais vão retornar, os pais que optaram pela educação privada precisam pagar a taxa de matrícula para assegurar a vaga dos filhos no ano letivo seguinte, além de arcar com os custos do material escolar.

Em Belo Horizonte, cidade onde fica a sede do Inter, uma pesquisa realizada pelo Mercado Mineiro mostrou que o mesmo item de uma lista básica de material escolar teve variação de até 625% no preço de um estabelecimento para o outro, o que reforça ainda mais a necessidade de pesquisar!

Seguros

Os seguros também são itens que variam conforme a configuração de cada família, afinal, nem todo mundo vai precisar de um seguro para automóvel, casa e pet, ao mesmo tempo.

O ideal é contratar apenas aquilo que faz sentido para o seu estilo de vida e exposição ao risco. Como assim? Se você possui um carro único para a família precisará de um seguro que leve em consideração a idade do condutor mais novo. Caso seja a única pessoa provedora pode ser interessante ter um seguro de vida, mesmo que não exerça uma atividade de risco, e a lista vai longe.

Mas precisamos ser sinceros: apesar de todos os benefícios, seguros não são itens obrigatórios e não devem onerar seu orçamento. No Inter, por exemplo, é possível contratar 16 produtos, com diferentes níveis de cobertura, por preços que cabem no seu bolso. Saiba mais

Despesas do ano anterior

Uma pesquisa realizada pelo SPC Brasil mostrou que 79% dos consumidores preferem parcelar as compras, e que 6 em cada 10 brasileiros tem contas parceladas com vencimento nos próximos 9 meses. Isso significa que os gastos feitos na Black Friday e no Natal, ainda vão repercutir em seu orçamento por um bom tempo.

Para manter seu score de crédito lá no alto, est as contas devem ser pagas em dia. Isso porque os juros rotativos são um dos mais altos no mercado (só em 2020 chegaram a quase 300% ao ano).

Como pagar as contas sem cair no vermelho?

Eis a pergunta que não quer calar. Uma resposta objetiva é: planejamento. Mas a gente sabe que nem sempre é possível prever os gastos com antecedência, principalmente se você é uma das pessoas que está fora do mercado de trabalho formal.

Por isso, reunimos algumas dicas que podem te ajudar a equilibrar os pratos sem entrar no vermelho.

Conheça os programas do seu município

Pouca gente sabe, mas em Belo Horizonte, o programa BH Nota 10 permite que o valor gasto com serviços ao longo do ano seja convertido em desconto de até 30% no IPTU.

Para ser elegível é preciso apresentar notas fiscais eletrônicas dos dias 1 de janeiro a 30 de novembro, nas quais constem seu CPF. Todas as notas devem ser de prestadores de serviços registrados na capital mineira, combinado?

Em São Paulo, o contribuinte pode falar seu CPF no ato da compra e receber parte do dinheiro gasto de volta. E estes são apenas dois exemplos de benefícios para o consumidor. Consulte os programas disponíveis em sua cidade, pois eles podem te ajudar a economizar neste período.

Pague à vista sempre que possível

Atualmente, os descontos oferecidos pelo pagamento à vista do IPTU e do IPVA são pequenos (inferiores a 8%), por isso, a orientação da maioria dos especialistas é que você só pague o valor integral se isso não comprometer mais de 30% de seu orçamento.

Em contrapartida, se o desconto pelo pagamento antecipado for de 5% você já estaria economizando 0.4% ao mês que é mais do que o dinheiro renderia na poupança, por exemplo.

Use o décimo terceiro para pagar

Se você faz parte da parcela empregada da população e ainda tem algum valor remanescente do décimo terceiro, use-o para quitar os impostos e aproveitar os descontos dados para pagamentos à vista.

Corte os gastos desnecessários neste período

Não tem jeito, o segredo para ter uma vida financeira saudável é sempre gastar menos do que ganha. Isso significa reservar 50% para gastos essenciais, como: moradia, alimentação e outras contas fixas, e investir ou guardar o restante.

Mas, novamente, a gente sabe que esta não é a realidade da maioria dos brasileiros. Então, em alguns casos, será preciso ser criativo. Evite gastos altos no primeiro trimestre, compras parceladas que podem se acumular com contas do ano anterior, e procure por opções gratuitas ou de baixo custo como comprar em brechós e frequentar espaços gratuitos.

>> Veja outros hábitos que podem te ajudar a economizar. 

Coloque suas despesas no débito automático (incluindo o cartão de crédito)

Às vezes, até temos o dinheiro para pagar as contas, mas são tantas as cobranças que esquecemos a data (já aconteceu com você?). Para estes casos, recomendamos sempre que você utilize a função débito automático para manter as contas em dia e evitar os temidos juros de atraso.

Para quem tem Cartão de Crédito Inter o débito automático é quesito obrigatório para você receber cashback adicional em sua conta. O cashback pode ser de até 1%, para clientes que possuem o Cartão Black, e de 0.25% e 0.50% para clientes Gold e Platinum, respectivamente.

Falando assim parece pouco, mas somando todos os gastos este valor pode representar uma economia grande para você até o final do ano.

Crie uma planilha e agende lembretes para pagamentos

Caso o tributo ou conta não ofereça a opção de pagar com débito automático, crie uma planilha online, agende lembretes ou use a boa e velha agenda, tudo é válido para não esquecer as datas de pagamento das contas e evitar as temidas multas.

Prefira a versão online dos boletos

Sempre que uma empresa gera um boleto para você é cobrada uma taxa, geralmente embutida no valor final do tributo. Ao optar por versões online, você exclui esse pequeno gasto da sua rotina e ainda contribui para menos desperdício de papel.

Utilize o Pix para transferências e pagamentos

Quando falamos em nos planejar financeiramente toda economia é bem-vinda!

O Pix é um meio de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central, que permite a transferência de valores entre contas totalmente sem custo. A nova funcionalidade é uma opção para o TED e DOC que eram usados para o mesmo fim, mas que cobram por transação.

Imagine que você divida as contas da casa com outra pessoa e todo mês tenha que transferir valores entre contas, com um custo médio de R$10. Ao usar o Pix você deixa de gastar este dinheiro e pode poupar o suficiente para quitar o DPVAT, por exemplo.

Opte por bancos sem tarifas

Outra mudança que você pode adotar para economizar dinheiro com tarifas é ter uma conta isenta de taxas de manutenção. Aqui no Inter, sua conta digital é completamente sem tarifas e você só paga quando adquire um serviço nosso.

O resultado disso? Só no ano passado, nossos correntistas economizaram R$5.6 bilhões.  

Comece sua reserva financeira

Embora as dicas acima possam te ajudar a economizar, sabemos também que elas são pontuais e não resolvem todo o problema. Por isso, a dica principal para não passar aperto com as contas é construir uma reserva financeira de emergência, que possa ser acionada quando você perder o emprego, ter algum problema de saúde ou para gastos que ultrapassem muito sua renda.

Esta reserva é constituída de pelo menos 6 meses do seu custo de vida mensal guardado, te resguardando de solicitar empréstimos sem necessidade ou de usar recursos do cheque especial.

Para construir sua reserva é muito importante ter disciplina! Coloque no papel quanto você gasta e quanto ganha (líquido) por mês e tente poupar, pelo menos, 10% de sua renda. Nos meses de férias, tente guardar o valor excedente, ou seja, aquele terço do salário que é assegurado pela legislação trabalhista para quem trabalha com carteira assinada.

O dinheiro guardado deve ir para aplicações de renda fixa, que oferecem o máximo de segurança ao seu dinheiro e aos rendimentos como CDBs, LCAs ou LCIs, que além de ser seguros rendem mais do que a poupança. Outra dica importante é alocar o dinheiro em investimentos de alta liquidez, afinal, a reserva é para uma emergência, certo? E ninguém sabe quando elas podem acontecer. Compilamos essas e outras dicas em um vídeo no nosso canal

E você, tem mais alguma dica para se planejar financeiramente? Comente aqui! E se achou que este conteúdo foi útil para você compartilhe com mais pessoas para que elas também possam colocar nossas dicas em prática.

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