De olho no mercado

Inflação em alta: como fica o seu bolso?

Publicado em 26/08/2021

Nos últimos meses, a inflação vem crescendo bem acima da média. As compras de supermercado ficam mais apertadas, as contas fixas tomam uma parte maior do orçamento, rodar de carro com a gasolina no preço que está passa a ser quase um luxo. Mas como isso acontece? E mais: quando o consumidor final acompanha uma notícia dessas nos meios de comunicação, o que ela representa exatamente para o bolso?

Em linhas gerais, inflação significa o aumento dos preços de bens e serviços. Quando ela sobe, o preço dos produtos se eleva e o poder de compra cai, já que a renda dos trabalhadores normalmente não acompanha o crescimento desses valores cobrados por itens e serviços. 

Mas para entender uma pouco mais esse processo, existe um caminho a ser percorrido. Nesse artigo vamos mostrar um pouco mais como a inflação se forma e como os preços acabam aumentando e gerando dor de cabeça para o consumidor. Segue o fio! 

O que é o IPCA?

Direto e reto: IPCA significa Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Ele é o medidor oficial da inflação no Brasil pelo governo federal. O IPCA mostra se os preços dos produtos estão caindo ou subindo, bem como a variação do custo de vida das famílias.

O índice é apurado por meio de pesquisas mensais feitas pelo IBGE, que levanta os preços nos estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e concessionárias de serviços públicos pelo país.

Conta básica: IPCA cresce, a inflação cresce.

E os preços como sobem?

Se a inflação cresce quando o índice IPCA aumenta e o índice, por sua vez, sobe quando os preços sobem...o que, de fato, faz esses preços subirem? Alguns fatores respondem a isso:

  • Crescimento da demanda: Mais pessoas querem comprar um produto. O fornecimento para todos não é mais possível ou tão ágil. Ou seja, quando a demanda é maior que a oferta, o preço sobe.
  • Emissão de papel-moeda: A economia dá sinais de baixa e o governo pretende movimentá-la mais. Ele decide, portanto, imprimir mais dinheiro para circulação. Mais dinheiro circulando no mercado, mais consumidores com maior capacidade de compra. A produção dos produtos acaba não acompanhando essa capacidade e os preços sofrem reajuste.
  • Redução da taxa de juros: Quando o governo reduz os juros ele também quer estimular a economia. Com juros mais baixos, maiores são as possibilidades de consumo e produção. O tempo passa e, claro, essas taxas mais baixas geram aumento de demanda e, com isso, crescimento da inflação.
  • Custos de produção mais elevados: Matemática simples. Se um produto é mais caro para se produzir ou se um serviço depende de mais custos para ser realizado, o preço para o consumidor final também ficará mais salgado. No mercado brasileiro, temos aspectos importantes a serem levados em consideração, como uma economia que importa muita matéria-prima. Dessa forma, se o dólar (moeda oficial dessas transações) aumenta em relação ao real, os custos de produção aumentam. E o movimento ocorre em cadeia: vários setores vão sendo impactados e realizando os reajustes.

O que eu comprava antes não compro mais

Uma simples ida ao supermercado há alguns anos rendia muito mais do que rende hoje. O consumidor ia às compras e voltava com mais itens. Sim, isso é a inflação na prática.

De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o custo médio da cesta básica de alimentos aumentou em 15 capitais brasileiras entre março e abril de 2021.

Uma comparação importante. Com base na cesta mais cara que, no mês de abril, foi a de Florianópolis, o Dieese estimou que o salário-mínimo necessário deveria ser equivalente a R$ 5.330,69, valor que corresponde a 4,85 vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.100,00. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

Outro dado interessante. Quando se compara o custo da cesta com o salário-mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (7,5%), é possível enxergar que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em abril, na média, 54,36% deste salário para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta. Ou seja, mais da metade dos rendimentos.

Citação

O encarecimento dos itens está bastante associado à crise hídrica, às geadas e à volatilidade do preço internacional do petróleo. Vale citar, ainda, que a inflação alta vem em momento de desemprego elevado na casa de 14,6%, com foco no mercado informal, o que prejudica ainda mais a renda e o poder de compra das famílias de menor poder aquisitivo.

- Daniel Arruda, analista de Research do Inter.

Como economizar em um cenário de inflação alta

Em tempos de alta da inflação, economizar aqui e ali e cortar alguns gastos se torna mais do que necessário. Os dados acima já mostram. No entanto, muita gente pensa que essas práticas necessariamente passam por grandes sacrifícios. E nem sempre é assim. Olha só algumas dicas simples:

Faça um bom planejamento financeiro.

  • Liste todas as suas despesas e receitas fixas;
  • Compare o que entra com o que sai de dinheiro e ajuste a conta;
  • Crie metas a médio e longo prazo.

Compre mais online

Compras pela internet podem ser isentas de taxas ou possuir descontos que não são encontrados nas lojas físicas.

Pesquise os preços

Hoje existem sites que comparam preços de produtos e serviços de maneira muito clara e dinâmica. Basta uma simples pesquisa nos sites de busca. Isso evita confusões ao ficar olhando muitos estabelecimentos e, claro, garante que o consumidor não tenha surpresas desagradáveis na hora da compra.

Ei, você! Tem alguma dica que funciona na sua casa e que gostaria de compartilhar aqui? Deixe nos comentários!

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