Em 2020, a Bolsa de Valores terminou o ano com 3,2 milhões de investidores. O número representa um aumento de 92% em relação a 2019, e dá continuidade ao fluxo de investidores para a B3, que teve altas expressivas nos últimos 5 anos.

A maior parte desses investidores ainda é composta por homens, entre 26 e 35 anos, e concentra-se na região Sudeste do País, principalmente em São Paulo.

O aumento aconteceu mesmo em um cenário de muita incerteza econômica e volatilidade das bolsas de valores ao redor do mundo, o que levantou a pergunta: por que tem tanta gente investindo em renda variável?

Neste post vamos traçar possíveis respostas para esse questionamento e mostrar o passo a passo para você também começar a investir na bolsa.

1. Baixa recorde da Selic

Com o avanço da crise econômica, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) baixou a taxa Selic para 2% em agosto de 2020, com o objetivo de tentar manter a inflação do país próxima da meta anual.

A decisão impactou diretamente nos investimentos de Renda Fixa, fazendo com que muitos investidores “migrassem” para a Bolsa de Valores em busca de maior rentabilidade e diversificação de suas carteiras.

2. Preços mais baixos

A incerteza dos mercados, causada em grande parte pela pandemia do Coronavírus, levou a desvalorização dos preços das ações de empresas conhecidas do grande público como as companhias aéreas e algumas empresas de commodities, como Vale e Petrobrás.

Com os preços mais baixos, muitos investidores viram a oportunidade de entrar neste mercado apostando na recuperação da economia e na alta das ações no médio e longo prazo.

3. Mais conteúdo sendo produzido sobre o assunto

O aumento de conteúdo sobre renda variável na internet levou a dois fenômenos distintos: ao mesmo tempo que aumentou a confiança no mercado de ações e contribuiu para a queda de alguns mitos sobre a bolsa de valores, também motivou a entrada de novos investimentos com o sonho de obter altos ganhos em pouco tempo.

Aqui é sempre bom lembrar que o mercado de ações é um mercado de renda variável, ou seja, oscila diariamente, influenciado por fatores macroeconômicos, noticiários e dinâmicas de oferta e demanda, o que faz com que a performance de uma ação nunca seja linear: podendo gerar ganhos e perdas para o investidor, nem sempre na mesma proporção.

Mais adiante falaremos sobre a importância de o investidor ter uma mentalidade de longo prazo.

4. Surgimento de novas corretoras e ferramentas de Home Broker

Antigamente, para investir no mercado de ações, só era possível por meio de uma corretora de valores que ficava responsável por emitir as ordens de compra e venda de ativos.

Nos últimos 5 anos, a entrada de novas corretoras e instituições no mercado e o surgimento de ferramentas de Home Broker permitiram que o investidor pessoa física operasse na bolsa com mais autonomia e mobilidade. Não por coincidência, o número de investidores pessoa física também vem aumentando no mesmo período.

5. Mudança no perfil do investidor

A Poupança continua sendo o investimento favorito da maioria dos brasileiros, seja por comodidade, seja porque muitos brasileiros ainda possuem apenas conta poupança como principal conta de movimentação de recursos. Mas o aumento de investidores na Bolsa indica que, aos poucos, o perfil do investidor está mudando, e as pessoas estão mais propensas a abrir mão da liquidez e da segurança oferecidas pelos investimentos de Renda Fixa para se arriscarem no mercado de ações em busca de maior rentabilidade.

É claro que essa virada nunca pode ser total, devido a alta volatilidade dos mercados. Mesmo para investidores mais arrojados, nossa equipe financeira recomenda manter pelo menos 20% do dinheiro aplicado em Renda Fixa, tanto pós-fixado quanto indexados à inflação.

Veja nossas recomendações de alocação para diferentes perfis.

Você pode descobrir qual o seu momento na jornada do investidor e, consequentemente, os investimentos mais adequados para o seu perfil, fazendo o teste de Suitability pelo aplicativo do Inter.

Como começar a investir na Bolsa?

Se você está considerando entrar no mercado de renda variável, existem algumas coisas que você precisa saber:

Separe sua reserva de emergência

O primeiro ponto que você deve considerar antes de começar a investir é o recurso que você possui para se manter no curto prazo: a tão falada reserva de emergência.

Apesar de ações terem muita liquidez e serem negociadas dinamicamente, pela oscilação natural da carteira (incluindo riscos de perdas) não dá para contar com o dinheiro investido para pagar as contas do dia a dia.

Garanta a diversificação da carteira

Outra dica fundamental para quem está começando é garantir a diversificação da carteira em várias ações e, segundo nossos especialistas, a melhor forma de começar é investindo em Fundos de Ações. Além da possibilidade de diversificação, os Fundos contam com gestores profissionais e atualizados sobre o mercado que vão comprar e monitorar seus investimentos.

A partir desse primeiro contato com o mercado de ações, você conseguirá perceber seu nível de aversão a risco e, se quiser, poderá trabalhar em uma carteira própria. E até mesmo mesclar os dois modelos.

Consuma conteúdo sobre as ações que te interessam

As chances de ter um retorno positivo com uma ação aumentam quando o investidor busca o histórico intrínseco daquele ativo.

Um exemplo: uma marca importante de cosméticos vai inaugurar mais lojas no Brasil e está tendo uma ampla cobertura da mídia. É bem provável que nos dias que antecedem a inauguração das lojas, as ações dessa empresa se valorizem, mas qual era o comportamento das ações antes?

Se você ainda não sabe por onde começar sua pesquisa, inscreva-se para receber relatórios de ações recomendadas elaborados pela nossa equipe de Research. Além dos relatórios de ações, você terá acesso a relatórios específicos sobre o desempenho de setores econômicos e sobre as empresas, que vão ajudar a embasar suas decisões de investimentos.

Invista em empresas ou setores nos quais você acredita

Após esse primeiro filtro de informações, privilegie investimentos em setores ou empresas que você conhece e/ou acredita. O conhecimento empírico sobre um determinado mercado é importante para que você não desista diante da primeira oscilação.

Diminua a ansiedade e desenvolva uma mentalidade de longo prazo

Comprar ações nada mais é do que adquirir uma pequena participação em uma empresa, ou seja, tornar-se sócio dela e como qualquer negócio, a empresa precisa de tempo para “performar”.

O prazo ideal para negociação não existe, mas deve ser de pelo menos 3 a 5 anos, na visão do Gerente de Investimentos do Inter, Elias Coelho. “Se você cria uma empresa e tem a visão de dono do negócio vai entender que todo empreendimento precisa de tempo para crescer, dar lucro e trazer resultados. Por isso, a gente fala sobre diminuir a ansiedade e ter uma visão de longo prazo para sua carteira”.

Veja essa e outras dicas para começar em investir em uma das lives do nosso canal.

Mantenha suas obrigações fiscais em dia 

O investidor que negocia ações na Bolsa também deve, por lei, declarar os valores comercializados para a Receita Federal.

No caso dos Fundos de Investimentos o trâmite é mais simples: a empresa administradora retém os impostos na fonte, e cabe ao investidor apenas incluir os informes de rendimentos na declaração do ano vigente.

Quando o investidor cria sua própria carteira de ações a responsabilidade pelo Imposto de Renda passa a ser dele, observando as seguintes regras:

  • Vendas abaixo de 20 mil reais por mês estão isentas;
  • Enquanto nas movimentações acima de 20 mil por mês, deve-se pagar 15% de imposto sob o lucro obtido;
  • Para o pagamento é preciso entrar no site da Receita Federal, emitir uma DARF no valor do imposto calculado e fazer o pagamento até o último dia do mês subsequente à venda das ações.

Vale a pena investir na Bolsa neste momento?

Os impactos da pandemia ainda são percebidos na economia, mas a expectativa pela vacinação em escala mundial e pelo lançamento de pacotes de estímulos econômicos e fiscais nas principais economias ao redor do mundo, foram responsáveis por altas consecutivas da Bolsa no último trimestre do ano passado, batendo patamares históricos.

Mesmo com a expectativa de um horizonte mais positivo, a Bolsa de Valores continua sendo um mercado de alta volatilidade, por isso, para responder se vale a pena investir na Bolsa é preciso olhar muito mais para o investidor do que para o mercado. 

Como qualquer investimento, investir na Bolsa exige planejamento e objetivos claros: qual o seu objetivo ao investir em ações? Aumentar o patrimônio? Garantir uma aposentadoria satisfatória? Pagar pelos estudos daqui uns anos? Depois disso, precisamos nos perguntar: faz sentido tornar-me sócio desta empresa? Para onde ela está caminhando? É provável que o mercado onde ela atua esteja aqui daqui uns anos?

Podemos, ainda, iniciar nossa análise pessoal, respondendo três questões básicas:

1. Você está disposto a correr o risco envolvido na compra e venda de ações?

2. Você possui uma reserva de emergência para manter sua família, até que seus investimentos deem resultado?

3. E por último: você consegue esperar o tempo necessário para fazer jus ao seu planejamento pessoal e objetivo traçado?

Se você respondeu sim para as 3 perguntas, está preparado para operar na bolsa, observando sempre seu perfil de investidor, o valor que você tem para aplicar e as ações que fazem mais sentido para você no momento. Para isso, você pode contar com o apoio do nosso time.

Para aqueles que responderam não para as perguntas existem alternativas viáveis de Renda Fixa que oferecem um retorno acima da inflação, e podem gerar menos frustração.

Para saber mais sobre o assunto, siga o perfil @interinvest no Twitter e ouça os podcasts do Inter Invest nas principais plataformas de áudio. Diariamente, atualizamos esses canais para que você possa tomar decisões de investimentos baseadas em dados.

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Ana Cecilia NogueiraAnalista de Conteúdo e CRM

Jornalista que se descobriu no marketing digital.

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