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PIB: o que é e quais seus impactos na economia?

Publicado em 29/09/2021

O PIB é o principal termômetro da economia de um país e serve para atração de investidores, refletindo a capacidade daquele país gerar riqueza. Falando assim, parece algo restrito ao mercado e distante do seu bolso, mas acredite: não é!

Nesse post vamos explicar o que é PIB, como ele é calculado, os impactos dele no dia a dia e até nos investimentos. Acompanhe!

O que é PIB?

O PIB, sigla para Produto Interno Bruto, é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por uma cidade, estado ou país em um determinado período. O cálculo é feito trimestralmente e, mais uma vez no final do ano, quando é apresentado o total consolidado.

Como dissemos anteriormente, ele é um termômetro do desempenho econômico de um país, ao demonstrar a temperatura daquele mercado. Quando o PIB está alto quer dizer que aquela economia está aquecida, o que costuma vir acompanhado de mais empregos e mais consumo.

O cenário inverso ocorre quando o PIB está baixo. O encolhimento da atividade econômica é ruim para o investidor, mas principalmente para o cidadão, que tem que lidar com menos produtos e serviços disponíveis, menos dinheiro circulando na economia e mais inflação.

PIB Nominal x PIB Real

Um país pode ter produzido 1 trilhão de lucro ao longo de um ano, mas uma alta repentina dos preços cria a impressão de que o resultado foi superior, por isso, existem dois tipos de PIB:

  • PIB Real: considera apenas o volume de produtos e serviços produzidos, sem considerar a inflação;
  • PIB Nominal: soma dos preços dos produtos e serviços na data em que eles foram disponibilizados.

Por ignorar o impacto da inflação na formação dos preços, o PIB Real é mais adequado para acompanhar o nível de eficiência econômica do país ao longo do tempo. Pois de nada adianta o resultado financeiro ser maior, se a capacidade produtiva não tiver aumentado.

PIB Brasil

O PIB Brasil é a soma de todas as riquezas produzidas no país.

Em 2020, o Brasil teve um encolhimento de 4,1%, por causa da pandemia. Esse foi o pior resultado da série histórica do indicador, iniciada na década de 90.

Já em 2021 (ano em que esse artigo foi escrito), a projeção de crescimento para o PIB Brasil é de 5,1%. A projeção chegou a ser mais alta com o afrouxamento de medidas restritivas e a retomada de serviços nos primeiros trimestres, mas o desempenho fraco de alguns setores, acompanhado de um aperto monetário maior do que o esperado, fez com que as expectativas de crescimento fossem reajustadas para uma porcentagem mais moderada.

Pelo site do IPEA é possível conferir o desempenho do PIB do Brasil, separado por trimestres, desde 1997.

PIB per capita

O PIB per capita é o valor do Produto Interno Bruto dividido pela população de uma cidade, estado ou país.

Costuma ser um indicador muito utilizado para refletir a qualidade de vida de um país já que, em teoria, quanto mais riqueza é gerada mais os cidadãos se beneficiam. Porém, apresenta uma distorção importante, uma vez que não considera desigualdades sociais. 

Resumindo: dá para o PIB de um país crescer e mesmo assim a população ficar mais pobre.

Como o PIB é calculado?

O PIB é a soma de todos os produtos e serviços finais produzidos por uma economia.  Essa soma não considera os produtos usados como matéria prima, entendendo que este valor já está embutido no preço final.

Por exemplo, se um carro custou R$20 mil para ser produzido e foi vendido por R$45 mil, o valor gerado por aquele produto foi de R$25 mil.

Além do lucro gerado por cada produto, a conta do PIB considera:

PIB = Consumo familiar + Investimento privado + Gastos do governo + Balança comercial (exportações – importações).

O levantamento desses dados e estatísticas é feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), sendo o valor do PIB total e nominal dados em reais.

O que o PIB diz sobre a economia?

O PIB é medido trimestralmente e depois comparado ao trimestre ou ano anterior justamente para refletir o desempenho da economia. O PIB alto significa que a economia está aquecida e, portanto, houve um crescimento na oferta de produtos e serviços. E o PIB em baixa indica o cenário exatamente contrário.

Além do nível de atividade econômica do país, o resultado do PIB pode indicar:

  • Se o país é atrativo ou não para investidores externos;
  • Equilíbrio da balança comercial;
  • Nível de gastos públicos;
  • Como a economia brasileira se posiciona frente a outras economias mundiais;
  • Períodos de aumento ou diminuição de consumo e seus efeitos, como a inflação.

Influência do PIB nos investimentos

A influência do PIB nos investimentos ocorre de maneira indireta, por meio da taxa Selic.

Quando o PIB está mais alto, a economia fica mais aquecida, as pessoas consomem mais, o que pode levar ao aumento da inflação, obrigando o Copom a aumentar a taxa Selic. Com os juros básicos em alta, investimentos de Renda Fixa como Tesouro Direto, CDB, LCI e LCA, melhoram sua rentabilidade o que aumenta a procura do investidor, principalmente daqueles com perfil conservador que temem o mercado de renda variável.

Por outro lado, quando o PIB encolhe, o Copom pode optar por diminuir a Selic para estimular o consumo, o que diminui os ganhos dos papéis de Renda Fixa, fazendo com que eles fiquem menos atrativos para o investidor.

O PIB e a Bolsa de Valores

Da mesma forma que acontece com os ativos de Renda Fixa, é possível determinar se existe uma correlação entre as variações do PIB e a Bolsa?

Em primeiro lugar, é possível testar se há correlação contemporânea entre as duas variáveis. A tese seria a seguinte: o bom desempenho do PIB estaria associado a uma elevação do faturamento das firmas que compõe o Ibovespa

No entanto, a análise dos indicadores ao longo do tempo sugere que o desempenho da bolsa, antecede ao desempenho da atividade econômica, isto é, o mercado poderia de alguma forma se antecipar ao que vai acontecer nos próximos meses. Foi exatamente o que aconteceu durante a pandemia, quando o retorno das ações de fato antecipou a queda e a posterior recuperação da atividade econômica.

E por que isso acontece?

A bolsa é uma modalidade de captação de recursos tipicamente perseguida por empresas de grande porte. Já o PIB é composto em grande parte pelo desempenho de empresas de pequeno/médio porte e empresários individuais.

Além da questão do porte das empresas, o Ibovespa e o PIB se diferenciam pela ponderação dos setores. Enquanto as empresas ligadas ao setor financeiro, como bancos e seguradoras, representam quase 25% do índice da bolsa, o total dessas firmas responde por 7% do PIB.

Dessa forma, o lucro das firmas abertas, caso não seja acompanhado pelo crescimento das pequenas e médias empresas, pode fazer com que o Ibovespa e o PIB apresentem desempenhos diferentes no mesmo período (a bolsa estar em alta com o PIB em queda, e vice-versa).

Isso ocorre por dois motivos:

  • Confiança entre empresários: o crescimento dos valuations de empresas estimula a realização de novos investimentos para ampliação da capacidade produtiva, gerando um impacto positivo na economia, ainda que esse crescimento seja notado alguns meses depois.
  • Confiança entre os investidores: Embora a relação seja mais fraca, o valor de mercado das ações também está relacionado à confiança do consumidor, que pode aumentar ou diminuir a demanda por esses ativos. Afinal, é preciso ter dinheiro para investir.

Concluímos então que: mesmo com o PIB em alta é possível ter perdas financeiras. Sendo assim, uma análise ampla do mercado é fundamental para construir uma estratégia de alocação eficiente e de acordo com seus objetivos de médio e longo prazo.

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