De olho no mercado

Quais são os impactos do dólar no seu bolso?

Publicado em 02/06/2021

Se você reparar bem vai perceber que todos os noticiários, veículos especializados em economia e corretoras sempre falam sobre a cotação do dólar e que, nos últimos tempos, as notícias têm sido apenas de alta – em março de 2020 a moeda ultrapassou, pela primeira vez, a marca de R$5.

Nessas horas muita gente pode pensar: “o que isso tem a ver comigo? Eu não estou com viagem marcada para o exterior”.

Só que viagens são apenas um dos setores impactados pela oscilação da moeda. A seguir a gente discute os impactos do dólar na vida financeira dos brasileiros.

Como o dólar impacta a nossa economia?

O dólar é usado como referência monetária global, mesmo nos países onde ele não é moeda nacional, como é o caso do Brasil.

Quando ocorre uma crise econômica, como essa que estamos enfrentando agora, ocorre uma elevação do risco-país, índice que mede a desconfiança de investidores estrangeiros e, como consequência disso, vemos a fuga de capitais.

Com mais investidores internacionais retirando seus investimentos, o dólar deixa de ser suficiente para a demanda do país, o que faz com que a moeda suba.

O aumento do dólar, por sua vez, puxa o preço de insumos, levando a um aumento generalizado no preço de produtos, fenômeno conhecido como inflação. Com a inflação, até mesmo os produtos feitos 100% aqui são impactados pela alta do dólar, seja porque o comerciante local prefere exportar para ganhar mais ou porque ele precisa compensar seus gastos com importação, como alguns exemplos que vamos ver a seguir.

Viagens internacionais mais caras

  
A consequência mais óbvia da alta do dólar aparece no preço de viagens para outros países. Isso acontece porque as passagens das companhias áreas internacionais têm seu preço fixado em dólares, embora, o consumidor final pague na sua moeda local.  Para piorar um pouco mais essa conta, o dólar que a gente compra para viajar é o dólar turismo, que tem uma cotação mais alta do que o dólar comercial.

Pão e outros itens do dia a dia mais caros

  
Sabe aquele pãozinho de padaria que você gosta de comer todos os dias? O trigo que é usado para fazê-lo, é importado de outros países, ou seja, é pago em dólar. Logo, quando a moeda estrangeira sobe, o valor da importação sobe, e cedo ou tarde esse impacto é repassado para o consumidor final. O mesmo vale para outros produtos do dia a dia como gasolina e remédios, cuja produção nacional ainda não é autossuficiente. 
 

Produtos industrializados mais caros


O Brasil tem sua economia baseada majoritariamente em comoditties, que são aquelas  mercadorias de baixo valor agregado e que tem seu preço regulado pela oferta e demanda, caso do café e do minério de ferro, por exemplo.

Por outro lado, somos grandes importadores de produtos manufaturados, que são feitos em escala industrial e, geralmente, tem maior valor agregado, caso de computadores e celulares.

Em um cenário de dólar alto, importar esses produtos fica cada vez mais difícil já que a maioria dessas tecnologias tem uma política de preços regulada pela moeda americana. Então, se você está pensando em trocar os eletrodomésticos da casa ou comprar um celular novo, talvez seja necessário recalcular seu orçamento familiar

Impacto nos investimentos

Além dos produtos mais caros, a alta do dólar influencia seus investimentos. Isso pode se dar de maneira direta, no caso de fundos cambiais, ou indireta com o aumento da taxa de juros e da inflação.  

O Dólar e a renda fixa


Uma das primeiras medidas do Banco Central para evitar a fuga de capitais é aumentar a taxa básica de juros do Brasil, para que os investimentos feitos aqui sejam favoráveis para o investidor estrangeiro. À primeira vista a alta da Selic é positiva, já que ela puxa o CDI para cima e, consequentemente, os rendimentos de aplicações de renda fixa como CDB, LCI, LCA, etc.

Mas essa sensação pode ser momentânea, pois o dólar alto também eleva a inflação do país, isso significa que seu dinheiro até rende mais, mas você consegue comprar menos com ele. Por isso, antes de comemorar a alta da Selic, o investidor deve acompanhar o impacto da inflação acumulada para conhecer o rendimento real daquela aplicação. 

O dólar e a renda variável 


Assim como na renda fixa, a alta do dólar pode ter impactos positivos e negativos nos investimentos de renda variável. Positivo, porque as empresas que exportam mais passam a ter um desempenho melhor, pois tem fluxo de caixa em dólar. E negativo para as empresas que importam mais e perdem sua margem de lucro, pelo menos inicialmente, o que pode impactar seu valor de mercado.

Além dos fatores intrínsecos à atividade da empresa, fatores externos como a inflação, gerada pela alta do dólar, podem desestabilizar a bolsa e impactar o preço dos ativos, na mesma velocidade que a moeda sobe ou desce.

Nesses momentos, o investidor precisa ter muito conhecimento acumulado sobre o mercado para preservar seu patrimônio, já que é impossível prever as altas e quedas do dólar.

Nossa dica é montar uma carteira bem diversificada, distribuindo parte do dinheiro em ativos mais seguros como os produtos de renda fixa, e parte do valor em fundos imobiliários e/ou fundos multimercado para mitigar perdas.

A alta do dólar também pode significar oportunidade, principalmente para quem investe em empresas negociadas fora do Brasil, por meio de BDRs que, a depender do desempenho da empresa, podem multiplicar seus rendimentos. Saiba sobre as BDRs aqui.

Agora você já sabe como o dólar impacta a vida dos brasileiros. Para saber mais sobre investimentos, siga o perfil @interinvest no Twitter e acesse a seção Conteúdo em seu aplicativo. Diariamente, atualizamos esses canais para que você possa tomar decisões baseadas em dados.

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