Cuidando do seu dinheiro

Prefixados, Indexados ou Pós-fixados?

Publicado em 22/02/2021

Você já deve ter ouvido várias vezes que um título tem rentabilidade prefixada, que é indexado a inflação ou ainda que segue um percentual da Selic, taxa básica de juros no Brasil.

Neste post vamos explicar as diferenças entre esses títulos e explicar quando eles são mais vantajosos.

Mas antes, como funcionam os títulos?

Um título é uma dívida que o governo ou uma empresa emitem no intuito de financiarem suas atividades. Ao financiar a instituição, o investidor tem uma promessa de receber o principal mais juros.

O principal é o valor emprestado à instituição, e os juros são valores adicionais pagos ao investidor pela decisão de manter seus recursos aplicados.

De forma geral, quanto mais confiável for a empresa ou governo, menor será a taxa de juros necessária para que o investidor decida emprestar o dinheiro. Em contrapartida, caso a instituição já tenha “dado calote” ou estiver muito endividada, os juros e garantias são maiores servindo como uma espécie de “prêmio” para os investidores que decidiram correr o risco.

Sendo assim, o fato de um título ser prefixado, indexado ou pós-fixado tem relação com a forma como os juros são pagos.

Tablea comparativa entre os títulos.

Títulos Prefixados

Os títulos prefixados já têm a rentabilidade ou, em outras palavras, os juros predefinidos.

No caso, investidor, ao decidir aceitar a promessa da instituição, já sabe o valor que irá receber previamente.

Por exemplo, se a instituição que emitiu a dívida paga os juros de 7% para o investidor, periodicamente, e independentemente de outras variáveis da economia, estamos tratando de um título prefixado.

Quando falamos da dívida pública, os dois nomes importantes em relação a esse tipo de título são LTN (também chamado de Tesouro Prefixado) e NTN-F. Ambos valem R$ 1.000,00 no vencimento e a taxa de juros dependerá do valor pago pelo investidor ao comprar o título.

A pergunta que não quer calar é: E quando esses títulos são mais vantajosos?

Títulos prefixados são mais interessantes quando o investidor tem necessidade de um valor específico a cada período. Dessa forma, ao comprar uma LTN, você saberá a quantidade que irá receber a cada mês e conseguirá se planejar para pagar suas contas.

Além disso, os Títulos Prefixados são extremamente atrativos quando o investidor acredita que as taxas de juros da economia irão cair. Por exemplo, se você comprou uma NTN-F que paga 7% ao ano, e meses depois o governo passou a emitir o mesmo título pagando 5%, o mercado irá valorizar mais o seu título, uma vez que ele não está mais disponível para a compra.

Dessa forma, você poderá revendê-lo por um preço maior, ganhando não somente com os juros! Mas também é preciso ter cuidado pois, se no mesmo exemplo a taxa de juros tivesse aumentado para 9% ao ano, seu título iria perder valor no mercado secundário, já que os outros investidores agora têm acesso a títulos que pagam juros maiores.

Títulos Pós-fixados

Enquanto os Prefixados são mais previsíveis, do outro lado, os títulos pós-fixados não tem uma taxa definida na emissão, apesar de seguirem determinada variável.

Exemplificando, a LFT (também conhecida como Tesouro Selic) é um título público atrelado a Selic, ou seja, os juros pagos são sempre iguais a taxa base da economia. Caso a Selic suba, o comprador do Tesouro Selic irá se beneficiar e, na eventual queda da taxa, ele irá receber juros menores.

E quando optar pelos pós-fixados?

Títulos pós-fixados são vantajosos, principalmente, porque não apresentam risco de mercado. Em outras palavras, ao contrário das LTNs e das NTN-Fs, eles sempre pagam o valor pelo qual a instituição emite. Portanto, se o governo passar a emitir títulos por 9% a.a. ao invés de 7% a.a., o título adquirido antes manterá seu valor para o resto do mercado, já que começará a pagar 9% ao invés de 7%.

Dessa forma, as LFT são uma ótima forma de “fazer caixa”, já que, ao serem vendidas, não vão gerar prejuízo ao investidor. Gestores de fundos diversas vezes mantêm parte do capital em LFTs, de maneira que, quando ações caírem de preço e se tornarem baratas, eles possam vender os títulos pós-fixados e fazerem um bom negócio!

Ou seja, quando um gestor diz que está com dinheiro em caixa, ele não colocou o capital em um baú ou debaixo do colchão, mas sim em um título que lhe trouxesse segurança em relação ao risco de mercado e, mesmo assim, alguma rentabilidade.

Títulos Indexados

Por fim, os títulos indexados, como o próprio nome sugere, estão indexados a uma determinada variável.

De certa forma, eles são um mixentre pré e pós: parte dos juros é atrelado a uma variável econômica e irá ser maior ou menor dependendo dessa, e a outra parte irá sempre ser um valor fixo, assim como na LTN.

NTN-B, NTN-C, NTN-D são alguns dos títulos indexados. Os dois primeiros são atrelados ao IPCA (inflação) e ao IGPM (índice de preços de mercado), respectivamente, e são os mais famosos.

Curioso para saber quando os títulos indexados são indicados?

Títulos com essas características são mais vantajosos quando você deseja ter uma rentabilidade maior que determinada variável.

Caso o investidor tenha alguma dívida atrelada inflação, por exemplo, é importante que o papel tenha rendimentos também atrelados ao IPCA, para que a compra de uma NTN-B seja eficiente.

Esse tipo de título também tende a se valorizar caso a variável com a qual ele está atrelado tenha alta. Por exemplo, se o mercado estiver precificando que o IPCA para 2021 ficará em 3,5%, mas ele fechar o ano em 4%, o investidor que comprou uma NTN-B verá seu título adquirindo valor, pois a aplicação pagará juros maiores que o esperado.

Você ainda mais informado

Pelo texto deu para perceber que as três opções de títulos apresentam vantagens para o investidor, desde que você observe o cenário financeiro e considere seu fluxo de caixa atual, na hora de fazer a aplicação.

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